Calendário de Vacinação SBP 2026/2027: o que mudou

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Calendário de Vacinação da SBP 2026/2027: VPC20, VSR e o fim da VOP no esquema recomendado

Resumo para consulta rápida: a Sociedade Brasileira de Pediatria publicou, por meio do seu Departamento Científico de Imunizações, a atualização 2026/2027 do calendário de vacinação. São três mudanças com impacto direto na rotina do consultório: a incorporação da vacina pneumocócica conjugada 20 valente (VPC20) no esquema 3+1, a consolidação da estratégia dupla contra o vírus sincicial respiratório (VSR) e a reincorporação do segundo reforço da vacina inativada poliomielite (VIP) aos 4 anos, tornando todo o esquema contra pólio exclusivamente inativado.

Se você é pediatra, clínico que atende crianças ou está em processo de especialização, este é o tipo de documento que precisa estar impresso na parede do consultório. Abaixo, o que mudou, por que mudou e o que ajustar na prática ainda esta semana.

O que mudou no calendário de vacinação da SBP em 2026/2027

TemaSituação anteriorAtualização 2026/2027
Pneumocócica conjugadaVPC10 como base do esquemaVPC20 (ou VPC15) no esquema 3+1 recomendado pela SBP
VSREstratégias em consolidaçãoVacina materna na gestação e anticorpo monoclonal de longa duração para o lactente
COVID-19Recomendada para grupos específicosMantida para menores de 5 anos e até 19 anos com risco de evolução grave
PoliomieliteReforço de VOP no esquemaSegundo reforço com VIP aos 4 anos; todas as doses com vacina inativada

VPC20: a principal mudança do calendário SBP 2026/2027

A grande novidade da atualização é a introdução da vacina pneumocócica conjugada 20 valente (VPC20), em alinhamento à mudança já implementada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) em junho de 2026.

Esquema recomendado pela SBP: 3+1

Pelo calendário da SBP, a orientação é adotar, sempre que possível, o esquema 3+1:

  • Dose aos 2 meses
  • Dose aos 4 meses
  • Dose aos 6 meses
  • Reforço aos 12 meses

 

A indicação é pela VPC20 ou VPC15, com o objetivo de proporcionar uma resposta imunológica mais robusta durante o primeiro ano de vida. A VPC20 amplia a proteção contra sorotipos responsáveis por pneumonia, meningite, sepse e outras formas graves da doença pneumocócica.

Como fica no SUS durante a transição

Conforme explica o presidente do Departamento Científico de Imunizações da SBP, dr. Eduardo Jorge da Fonseca Lima, durante o atual período de transição o Sistema Único de Saúde fornecerá a pneumocócica em esquema misto de três doses (2+1), envolvendo VPC10 e VPC20. Após o término dos estoques da VPC10, o esquema passará a ser realizado integralmente com a VPC20.

Na prática, isso significa que o pediatra vai conviver, pelos próximos meses, com duas realidades simultâneas: o esquema 3+1 recomendado pela SBP na rede privada e o esquema 2+1 de transição no SUS. Saber explicar essa diferença aos pais, sem gerar insegurança, virou competência clínica de comunicação. É exatamente esse tipo de nuance que separa o médico atualizado do médico que apenas repete a última tabela que memorizou, e um dos motivos pelos quais a atualização em imunizações ocupa espaço central em qualquer pós-graduação em Pediatria séria.

Intercambialidade entre pneumocócicas conjugadas

Ponto que costuma gerar dúvida no consultório: a SBP reforça que as vacinas pneumocócicas conjugadas são intercambiáveis entre si. Por isso, crianças com esquema completo ou incompleto devem ser avaliadas pelo pediatra para discussão de indicações específicas e dos benefícios de complementação.

VSR: estratégia dupla para proteger o lactente

O vírus sincicial respiratório é a principal causa de bronquiolite e um dos maiores responsáveis por hospitalizações de lactentes no primeiro ano de vida. O calendário 2026/2027 consolida duas estratégias complementares:

  1. Vacinação materna durante a gestação, permitindo a transferência de anticorpos para o bebê ainda no útero.
  2. Imunização passiva do lactente com anticorpos monoclonais de longa duração.

Quando o monoclonal segue indicado mesmo com a mãe vacinada

Esta é a informação que mais gera dúvida na prática. A SBP esclarece que, em determinadas situações, o anticorpo monoclonal é indicado mesmo quando a mãe foi vacinada durante a gestação:

  • Prematuros
  • Recém-nascidos de mães imunodeprimidas
  • Crianças com cardiopatia
  • Crianças com doença pulmonar crônica
  • Crianças com imunodeficiência ou outra condição de risco

 

Ou seja, vacinação materna não é, por si só, critério de exclusão para o monoclonal. Vale revisar o script de orientação da equipe do consultório para evitar informação cruzada.

COVID-19: o que permanece no calendário

O novo calendário mantém a recomendação de vacinação contra a COVID-19 para crianças menores de 5 anos e para crianças e adolescentes até 19 anos com risco de evolução grave, reforçando a indicação de que sejam utilizadas as versões mais atualizadas das vacinas. Não houve alteração relevante em relação ao ciclo anterior.

Pólio: retorno do segundo reforço de VIP aos 4 anos

Outra mudança em destaque é a reincorporação do segundo reforço da vacina inativada poliomielite (VIP) aos 4 anos de idade. Com isso, todas as doses contra pólio passam a ser realizadas exclusivamente com a vacina inativada, incluindo os dois reforços.

Segundo o dr. Eduardo Jorge, a medida fortalece a proteção individual e coletiva em um momento em que o mundo permanece vigilante para evitar a reintrodução da doença. Na prática, a VOP (vacina oral) deixa de compor a recomendação da SBP, o que exige atualização imediata de fichas de acompanhamento vacinal e de materiais de orientação aos pais.

O que muda na rotina do consultório: checklist prático

Para o pediatra que quer aplicar a atualização ainda nesta semana:

  • Atualizar a ficha de acompanhamento vacinal com o esquema 3+1 de VPC20/VPC15
  • Revisar o script de orientação sobre a diferença entre o esquema SBP (3+1) e o esquema de transição do SUS (2+1)
  • Corrigir materiais impressos e digitais que ainda citem VOP no esquema de pólio
  • Incluir o segundo reforço de VIP aos 4 anos nos lembretes de retorno
  • Padronizar a conduta de indicação do monoclonal para VSR nos grupos de risco, mesmo com mãe vacinada
  • Treinar a recepção e a equipe de enfermagem sobre a intercambialidade das pneumocócicas conjugadas
  • Baixar e arquivar o calendário oficial da SBP na versão 2026/2027

 

Perguntas frequentes sobre o calendário de vacinação da SBP 2026/2027

Qual é o esquema de VPC20 recomendado pela SBP? O esquema 3+1: doses aos 2, 4 e 6 meses de idade, com reforço aos 12 meses. A indicação é pela VPC20 ou VPC15.

VPC10 e VPC20 são intercambiáveis? Sim. A SBP reforça que as vacinas pneumocócicas conjugadas são intercambiáveis entre si. Crianças com esquema completo ou incompleto devem ser avaliadas pelo pediatra para definição de conduta.

Por que o esquema do SUS é diferente do esquema da SBP? Durante o período de transição, o SUS adota esquema misto de três doses (2+1) com VPC10 e VPC20. Após o término dos estoques de VPC10, o esquema será integralmente com VPC20. O calendário da SBP recomenda o 3+1 sempre que possível.

O anticorpo monoclonal contra VSR ainda é indicado se a mãe foi vacinada na gestação? Sim, em situações específicas: prematuros, recém-nascidos de mães imunodeprimidas e crianças com cardiopatia, doença pulmonar crônica, imunodeficiência ou outra condição de risco.

A VOP saiu do calendário de vacinação da SBP? Na atualização 2026/2027, todas as doses contra poliomielite passam a ser realizadas exclusivamente com a vacina inativada (VIP), incluindo os dois reforços, com o segundo reforço reincorporado aos 4 anos.

A recomendação de COVID-19 para crianças mudou? Não houve alteração relevante. A vacinação segue recomendada para menores de 5 anos e para crianças e adolescentes até 19 anos com risco de evolução grave, com as versões mais atualizadas das vacinas.

Atualização constante é o que sustenta a autoridade clínica

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Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Departamento Científico de Imunizações. Calendário de Vacinação SBP, atualização 2026/2027. Publicado em 28 de julho de 2026.

Conteúdo de caráter informativo e educacional, destinado a profissionais de saúde. Não substitui a leitura do documento oficial da SBP nem o julgamento clínico individual.

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