O que são as “canetas emagrecedoras”?
Nos últimos anos, medicamentos injetáveis como semaglutida (Ozempic®, Wegovy®) e liraglutida (Saxenda®) ganharam destaque no tratamento da obesidade. Popularmente chamadas de “canetas emagrecedoras”, essas medicações pertencem à classe dos agonistas do receptor GLP-1, também usados no controle do diabetes tipo 2.
Além delas, novas opções como a tirzepatida (Mounjaro®) e a forma oral de semaglutida (Rybelsus®) vêm ampliando as alternativas terapêuticas. Para o médico, compreender a regulamentação e a disponibilidade desses medicamentos é essencial para orientar pacientes de forma ética e segura.

Posição do SUS e da Conitec
Em 2025, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) avaliou a possibilidade de incluir a semaglutida 2,4 mg (Wegovy®) no SUS. Apesar das evidências de eficácia, como a redução de até 20% em eventos cardiovasculares, a recomendação final foi não incorporar o medicamento por conta do impacto orçamentário, estimado em bilhões de reais ao ano.
Atualmente, o SUS não disponibiliza nenhum medicamento para tratamento da obesidade. As opções seguem restritas a mudanças de estilo de vida, apoio multiprofissional e, em casos graves, cirurgia bariátrica. Ainda assim, a discussão permanece aberta, especialmente com a previsão da chegada de genéricos a partir de 2026, o que pode tornar o custo mais acessível.
Anvisa: proibição de manipulados e retenção de receita
Com a crescente procura, a Anvisa adotou medidas para garantir segurança no uso dessas terapias. Duas decisões se destacam:
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Retenção de receita médica: desde 2025, farmácias e drogarias são obrigadas a reter a via da prescrição desses medicamentos. Isso limita a compra repetida sem acompanhamento médico.
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Proibição de versões manipuladas: a agência proibiu a manipulação de semaglutida e outros análogos GLP-1 em farmácias. A justificativa foi a falta de comprovação de qualidade e segurança dos insumos importados para manipulação.
Essas medidas reforçam a importância de os médicos prescreverem apenas produtos registrados, alertando pacientes para não recorrerem a alternativas irregulares.
O que dizem as sociedades médicas
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) têm posição clara:
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Defendem o uso dos agonistas de GLP-1 como parte do tratamento da obesidade, quando há indicação clínica adequada.
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Alertam para riscos do uso indiscriminado e sem acompanhamento.
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Reforçam que a obesidade é uma doença crônica e que os medicamentos devem ser vistos como ferramentas complementares, não como solução isolada.
Essas entidades também se manifestaram contra a decisão de não incluir a semaglutida no SUS, apontando que isso aprofunda desigualdades no acesso ao tratamento.
Produção nacional: um passo para o futuro
Uma novidade promissora é a parceria entre a Fiocruz e o laboratório EMS para produzir semaglutida e liraglutida em território nacional. O acordo prevê a transferência de tecnologia para que, a partir de 2026, o Brasil possa contar com versões genéricas ou biossimilares.
Essa produção nacional deve reduzir preços e facilitar o acesso, tanto no mercado privado quanto em futuras negociações para incorporação no SUS. Para médicos, isso representa a perspectiva de oferecer terapias modernas a um público mais amplo.
Conclusão
Para quem atua ou deseja se aprofundar em Endocrinologia, acompanhar a evolução desses medicamentos é indispensável. O cenário regulatório está em constante mudança, e o domínio sobre essas terapias diferencia o médico que busca oferecer tratamentos seguros e atualizados.
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Fontes
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Agência Brasil. Conitec rejeita inclusão de canetas emagrecedoras no SUS. 22 ago. 2025.
- Anvisa. Anvisa esclarece e determina regras para manipulação de canetas de GLP-1. 25 ago. 2025.
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Fiocruz. EMS e Fiocruz fecham acordos para produção nacional de liraglutida e semaglutida. 6 ago. 2025.
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ABESO / SBEM / SBD. Nota conjunta sobre a não incorporação da liraglutida e semaglutida no SUS. 23 ago. 2025.