Os erros de prescrição que mais aparecem em perícia
Quem trabalha com perícia lê prontuário o dia inteiro. E depois de algumas centenas de laudos, os mesmos erros começam a se repetir, quase sempre cometidos por médicos competentes em dia ruim.
Prescrição sem posologia completa. Medicamento sem dose, via, intervalo ou duração. Parece detalhe até o dia em que alguém precisa provar o que foi orientado.
Não registrar a alergia questionada. Não basta perguntar. Se não está no prontuário, do ponto de vista pericial não aconteceu.
Prescrever controlado sem registrar a indicação. Em revisão de caso, a ausência da justificativa clínica é lida como prescrição sem critério, mesmo quando ela existiu.
Manter prescrição de continuidade sem reavaliar. Paciente que renova a mesma receita há três anos sem reavaliação documentada é achado recorrente, principalmente em psicotrópico e opioide.
Não documentar a orientação de risco. Medicamento com risco conhecido exige registro de que o risco foi comunicado. Sem isso, a discussão vira palavra contra palavra.
Rasura e adendo sem identificação. Correção de prontuário é legítima, desde que identificada, datada e assinada. Correção silenciosa levanta suspeita mesmo quando é inocente.
Letra ilegível em receita manuscrita. Continua aparecendo, e continua sendo indefensável.
O que une todos eles:
Nenhum é erro de conhecimento clínico. Todos são erros de registro.
O médico sabia a dose. Perguntou sobre alergia. Avaliou o paciente. Só não escreveu. E em perícia, o que não está escrito não existe.
A boa notícia é que isso se corrige com hábito, não com estudo. Três minutos a mais por atendimento resolvem a maior parte dessa lista.

Para quem está do outro lado:
Se você pensa em atuar como perito, essa é exatamente a competência que se ensina: ler prontuário procurando o que falta, e escrever laudo que sustente a conclusão. É uma habilidade diferente da clínica, e por isso precisa de formação própria.
A pós-graduação em Perícia Médica do FGMED trata estrutura de laudo, análise documental e resposta a quesitos. Para quem quer melhorar o próprio registro clínico e reduzir risco no consultório, a pós em Clínica Médica e a de Dor e Cuidados Paliativos cobrem prescrição segura nas áreas de maior exposição.
