Perimenopausa pode elevar risco cardiovascular, aponta estudo da AHA

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Mulheres na Medicina: Áreas com Menos Representação

Estudo da American Heart Association aponta que a perimenopausa pode ser uma janela crítica para prevenir riscos cardiovasculares em mulheres.

Estudo da American Heart Association aponta que a perimenopausa pode ser uma janela crítica para prevenção cardiovascular feminina.

A perimenopausa pode começar anos antes da última menstruação, mas seus impactos vão além dos sintomas clássicos, como ondas de calor, irregularidade menstrual, alterações de humor e piora do sono.

Um estudo divulgado pela American Heart Association reforça que essa fase da vida feminina deve ser observada com mais atenção pela medicina, especialmente quando o assunto é saúde cardiovascular.

A pesquisa, publicada no Journal of the American Heart Association, aponta que a perimenopausa pode representar uma janela importante para prevenção cardiovascular, antes que os riscos se intensifiquem na pós-menopausa.

Para médicos que atendem mulheres a partir dos 40 anos, o dado reforça a necessidade de olhar para a transição menopausal não apenas como uma fase hormonal, mas também como um momento estratégico para rastreamento cardiometabólico.

O que é perimenopausa?

A perimenopausa é o período de transição entre a fase reprodutiva e a menopausa. Ela pode começar anos antes da última menstruação e costuma ser marcada por alterações hormonais, ciclos menstruais irregulares e sintomas vasomotores, como fogachos e suores noturnos.

Do ponto de vista clínico, essa fase merece atenção porque o organismo feminino começa a passar por mudanças metabólicas importantes.

A oscilação e a queda progressiva do estrogênio podem interferir em fatores diretamente relacionados ao risco cardiovascular, como colesterol, glicose, pressão arterial, composição corporal e qualidade do sono.

Entre as alterações observadas nessa fase, estão:

  • piora do perfil lipídico;
  • aumento da resistência à insulina;
  • maior tendência ao acúmulo de gordura visceral;
  • piora da qualidade do sono;
  • alterações na pressão arterial;
  • maior risco cardiometabólico.

Por isso, a perimenopausa não deve ser vista apenas como uma fase de sintomas incômodos. Ela pode ser um momento decisivo para rastreamento, orientação e prevenção.

O que o estudo da American Heart Association mostrou?

O estudo avaliou dados de 9.248 mulheres, com idade entre 18 e 80 anos, utilizando a métrica Life’s Essential 8, protocolo da American Heart Association que analisa oito fatores ligados à saúde cardiovascular.

Entre os fatores avaliados estão:

  • alimentação;
  • atividade física;
  • exposição à nicotina;
  • sono;
  • peso;
  • pressão arterial;
  • colesterol;
  • glicose.

A principal conclusão chama atenção: mulheres na perimenopausa apresentaram maior probabilidade de ter pior pontuação de saúde cardiovascular quando comparadas às mulheres que ainda tinham ciclos menstruais regulares.

A pontuação média de saúde cardiovascular caiu progressivamente entre as fases reprodutivas:

Fase reprodutivaNota média de saúde cardiovascular
Pré-menopausa73,3
Perimenopausa69,1
Pós-menopausa63,9

Esses dados mostram que a piora da saúde cardiovascular não aparece apenas depois da menopausa consolidada. Ela já pode começar durante a perimenopausa.

Principais achados do estudo

Além da queda na pontuação média, o estudo mostrou que mulheres na perimenopausa tiveram:

  • quase o dobro de chance de apresentar baixa saúde cardiovascular geral;
  • 76% mais chance de pontuações desfavoráveis em lipídios no sangue;
  • 83% mais chance de pontuações desfavoráveis em glicose.

Esses achados reforçam a importância de uma abordagem preventiva mais precoce na saúde cardiovascular feminina.

Em vez de esperar a pós-menopausa para intensificar o cuidado, a perimenopausa pode ser usada como um período de intervenção clínica mais ativa.

Por que a perimenopausa pode afetar o coração?

A explicação passa, em grande parte, pelo papel do estrogênio.

Durante a vida reprodutiva, o estrogênio exerce efeitos protetores sobre o sistema cardiovascular. Ele contribui para a função endotelial, influencia o metabolismo lipídico e participa da regulação da sensibilidade à insulina.

Na perimenopausa, a oscilação hormonal pode reduzir essa proteção. Como consequência, algumas mulheres podem apresentar piora de marcadores metabólicos mesmo sem mudanças expressivas no estilo de vida.

Alterações no colesterol

A queda do estrogênio pode favorecer mudanças no perfil lipídico, com aumento de LDL, alterações nos triglicerídeos e redução relativa da proteção metabólica.

Isso ajuda a explicar por que o estudo encontrou maior chance de piores pontuações relacionadas aos lipídios entre mulheres na perimenopausa.

Maior resistência à insulina

A transição hormonal também pode interferir na forma como o organismo utiliza a glicose.

Esse processo pode aumentar o risco de resistência à insulina, ganho de gordura abdominal e alterações glicêmicas, especialmente em mulheres com fatores de risco prévios.

Impacto na pressão arterial

Com menor proteção vascular, pode haver maior rigidez arterial e piora da função endotelial.

Essas alterações podem contribuir para elevação da pressão arterial e aumento do risco cardiometabólico ao longo da transição menopausal.

Piora da qualidade do sono

Fogachos, suores noturnos e despertares frequentes podem comprometer a qualidade do sono.

Mesmo quando a duração total do sono parece adequada, a fragmentação do descanso pode impactar negativamente a saúde cardiovascular.

A American Heart Association inclui o sono entre os oito fatores essenciais para a saúde do coração, reforçando sua importância no cuidado preventivo.

Life’s Essential 8: os 8 pilares da saúde cardiovascular

O Life’s Essential 8 é uma ferramenta da American Heart Association criada para orientar a avaliação e a promoção da saúde cardiovascular.

Ele considera oito componentes principais:

  1. Alimentação saudável
  2. Atividade física regular
  3. Ausência de exposição à nicotina
  4. Sono de qualidade
  5. Peso corporal adequado
  6. Controle da pressão arterial
  7. Controle do colesterol
  8. Controle da glicose

Esses fatores são divididos entre hábitos de vida e marcadores clínicos. Na prática, eles ajudam médicos e pacientes a identificar pontos de intervenção antes que a doença cardiovascular se manifeste.

No estudo, a dieta apareceu como um dos componentes com pior desempenho entre os grupos avaliados, o que reforça a importância da orientação nutricional durante a transição menopausal.

Por que esse estudo importa para a prática médica?

A principal mensagem para médicos é que a perimenopausa deve ser incorporada à avaliação de risco cardiovascular.

Muitas mulheres chegam ao consultório relatando sintomas como calor intenso, piora do sono, ganho de peso, irritabilidade e irregularidade menstrual. Esses sinais podem abrir espaço para uma investigação mais ampla, incluindo avaliação cardiometabólica.

Na prática clínica, esse momento pode justificar:

  • solicitação de perfil lipídico;
  • avaliação de glicemia e hemoglobina glicada;
  • aferição e acompanhamento da pressão arterial;
  • avaliação de IMC e circunferência abdominal;
  • investigação da qualidade do sono;
  • orientação sobre atividade física, especialmente treino de força;
  • revisão alimentar;
  • discussão individualizada sobre terapia hormonal, quando houver indicação e ausência de contraindicações.

É importante reforçar que a terapia hormonal não deve ser tratada como solução universal.

A decisão deve ser individualizada, considerando sintomas, idade, tempo de menopausa, histórico familiar, risco cardiovascular, risco trombótico e outros fatores clínicos.

Perimenopausa como janela de oportunidade

O conceito mais relevante trazido pelo estudo é o de janela de oportunidade.

Em vez de esperar a menopausa estar consolidada para iniciar cuidados cardiovasculares, o acompanhamento pode começar durante a transição. Isso permite que alterações em colesterol, glicose, pressão, sono e peso sejam identificadas mais cedo.

Para mulheres entre 40 e 50 anos, especialmente aquelas com sintomas da transição menopausal, histórico familiar de doença cardiovascular, obesidade, hipertensão, diabetes ou dislipidemia, essa atenção se torna ainda mais importante.

A prevenção cardiovascular feminina precisa considerar fases específicas da vida da mulher.

Gravidez, climatério, menopausa e pós-menopausa não são apenas marcos ginecológicos. São períodos que também podem modificar o risco cardiometabólico.

O que médicos devem observar nas pacientes em perimenopausa?

Alguns sinais e fatores merecem atenção durante a consulta:

  • ciclos menstruais irregulares;
  • fogachos frequentes;
  • suor noturno;
  • insônia ou sono fragmentado;
  • ganho de peso abdominal;
  • aumento da pressão arterial;
  • piora recente do colesterol;
  • alteração glicêmica;
  • fadiga persistente;
  • histórico familiar de infarto, AVC ou diabetes.

Esses elementos ajudam a construir uma avaliação mais completa e preventiva.

A presença desses sinais não significa, necessariamente, que a paciente terá doença cardiovascular. No entanto, pode indicar a necessidade de investigação mais cuidadosa e acompanhamento contínuo.

Perguntas frequentes sobre perimenopausa e risco cardiovascular

Perimenopausa aumenta o risco cardiovascular?

O estudo indica que mulheres na perimenopausa podem apresentar pior pontuação de saúde cardiovascular em comparação com mulheres na pré-menopausa. Isso sugere que a transição menopausal pode ser um período importante para rastreamento e prevenção.

Por que o coração pode ser afetado na perimenopausa?

A oscilação e a queda do estrogênio podem influenciar colesterol, glicose, pressão arterial, composição corporal e qualidade do sono. Esses fatores estão diretamente relacionados à saúde cardiovascular.

Toda mulher na perimenopausa precisa fazer avaliação cardiovascular?

A avaliação deve ser individualizada. No entanto, sintomas da transição menopausal podem ser uma oportunidade para investigar fatores cardiometabólicos, especialmente em mulheres com histórico familiar, obesidade, hipertensão, diabetes ou dislipidemia.

Terapia hormonal previne doença cardiovascular?

A terapia hormonal não deve ser tratada como uma solução universal. A indicação precisa considerar sintomas, idade, tempo de menopausa, histórico clínico, risco cardiovascular, risco trombótico e contraindicações.

Quais exames podem ser considerados na perimenopausa?

Dependendo do caso, o médico pode considerar perfil lipídico, glicemia, hemoglobina glicada, aferição da pressão arterial, avaliação de peso, IMC, circunferência abdominal e investigação da qualidade do sono.

Conclusão

O estudo divulgado pela American Heart Association reforça uma mudança importante na forma de olhar para a perimenopausa.

Mais do que uma fase de transição hormonal, esse período pode representar um momento crítico para identificar riscos e proteger a saúde cardiovascular feminina.

A queda da pontuação cardiovascular já durante a perimenopausa mostra que esperar a pós-menopausa pode significar perder uma oportunidade valiosa de prevenção.

Para médicos, o recado é claro: investigar cedo, orientar melhor e agir antes que o risco se consolide pode fazer diferença na prevenção cardiovascular feminina.

Temas como climatério, risco cardiovascular feminino, prevenção cardiometabólica e tomada de decisão clínica reforçam a importância da atualização médica contínua.

Continue acompanhando o blog do FGMED para conferir análises sobre novos estudos, atualizações médicas e temas relevantes para a prática clínica.

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