O rastreamento do câncer do colo do útero está passando por uma das mudanças mais significativas das últimas décadas no Brasil. O teste de DNA-HPV foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e promete transformar a prevenção, oferecendo maior precisão diagnóstica e a possibilidade de reduzir a mortalidade da doença.
Mas, afinal, como funciona esse exame, quais as diferenças em relação ao Papanicolau e como será sua implementação na rede pública?

Como funciona o teste de DNA-HPV
O exame de DNA-HPV é um teste molecular por PCR, capaz de detectar o material genético de 14 subtipos oncogênicos de HPV diretamente na amostra coletada do colo uterino.
Enquanto o Papanicolau identifica alterações celulares já causadas pelo vírus, o teste molecular antecipa a detecção, revelando a presença da infecção mesmo em fases assintomáticas.
Principais vantagens:
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Maior sensibilidade diagnóstica: até 95% para lesões cervicais de alto grau (contra 50–60% do Papanicolau).
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Intervalos de rastreamento ampliados: mulheres com resultado negativo podem repetir o exame a cada 5 anos.
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Menos intervenções desnecessárias: com alta acurácia, reduz a repetição de exames e encaminhamentos supérfluos.
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Possibilidade de autocoleta: alternativa que aumenta a adesão em populações vulneráveis ou com barreiras de acesso.
Implementação no SUS
O Ministério da Saúde iniciou a implantação em 2025, em caráter piloto, em 12 estados e no Distrito Federal, começando por municípios sentinela e com previsão de expansão para todo o país até 2026.
Entre os estados que já contam com o teste estão: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Ceará, Pernambuco, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Pará e Rondônia, além do DF.
A coleta ocorre nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e o exame é gratuito para mulheres de 25 a 64 anos com colo uterino. O resultado positivo leva à investigação complementar (citologia e colposcopia), enquanto o resultado negativo permite retorno apenas após 5 anos.
Diretrizes do Ministério da Saúde
As Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero (2025) consolidaram o DNA-HPV como método primário de rastreamento. De acordo com as recomendações, mulheres de 25 a 64 anos, bem como homens trans e pessoas não-binárias com colo uterino, devem realizar o exame a cada cinco anos quando o resultado for negativo. Em caso de positividade, a conduta prevista é a realização de citologia convencional para avaliar se já existem alterações celulares, seguida de colposcopia e biópsia nos casos necessários.
As diretrizes também determinam que o rastreamento seja organizado e ativo, cabendo às equipes de saúde da família identificar mulheres que nunca realizaram o exame ou estão com ele atrasado. Dessa forma, busca-se ampliar a cobertura populacional e reduzir as desigualdades no acesso.
DNA-HPV x Papanicolau: o que muda na prática médica
A principal mudança está na sensibilidade diagnóstica. O DNA-HPV identifica até 95% das lesões cervicais de alto grau, enquanto o Papanicolau gira em torno de 50% a 60%. Isso significa que o risco de falso-negativo diminui significativamente, permitindo diagnóstico mais precoce e seguro.
O Papanicolau, no entanto, não desaparece. Ele continua sendo utilizado como exame complementar nos casos em que o DNA-HPV resulta positivo, ajudando a definir quais pacientes realmente precisam de investigação adicional. Assim, os dois métodos se tornam aliados em um rastreamento mais eficaz.
Além disso, a incorporação do DNA-HPV inaugura um modelo de rastreamento organizado, com busca ativa e possibilidade de autocoleta. Essa estratégia amplia a cobertura e reduz desigualdades, sobretudo em regiões com menor acesso aos serviços de saúde.
Custo e impacto no sistema de saúde
Embora o custo unitário não tenha sido divulgado, estimativas indicam que o rastreamento com DNA-HPV pode reduzir em até 30% os custos para o SUS a longo prazo, ao diminuir falsos negativos, espaçar os intervalos entre exames e reduzir gastos com tratamentos oncológicos tardios.
Além disso, a tecnologia é 100% nacional, desenvolvida pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP/Fiocruz), o que garante autonomia e sustentabilidade para o programa.
O que isso significa para a prática médica
Para médicos, a implementação do DNA-HPV no SUS representa uma mudança de paradigma no rastreamento do câncer cervical. A tendência é que o Papanicolau perca o protagonismo e passe a ser usado como exame complementar, enquanto o DNA-HPV se torna a principal ferramenta de prevenção.
Essa transição exige atualização da prática clínica e acompanhamento atento das novas diretrizes, especialmente em relação ao fluxo de encaminhamento de pacientes com resultados positivos.
Pós-graduação em Ginecologia e Obstetrícia
A chegada do DNA-HPV ao SUS reforça a necessidade de médicos atualizados nas práticas de rastreamento e cuidado em saúde da mulher. O FGMED oferece a pós-graduação em Ginecologia e Obstetrícia, exclusiva para médicos e reconhecida pelo MEC, que prepara o profissional para atuar com segurança nos protocolos mais modernos da especialidade.
Com opções de carga horária de 432h ou 972h e possibilidade de aulas práticas em hospitais de referência, o curso contribui para que o médico avance na carreira e se aproxime da conquista do RQE em Ginecologia e Obstetrícia.
Fontes
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Ministério da Saúde – Tecnologia nacional para detectar câncer do colo do útero no SUS (2025)
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OPAS/OMS – Brasil inicia implementação do teste molecular DNA-HPV no SUS (2025)
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INCA – Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero (2025)
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Diretriz completa em PDF – Rastreamento do Câncer do Colo do Útero: Parte I – DNA-HPV
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Manual DNA-HPV (INCA) – orientações para gestores do SUS (PDF)
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Secretaria de Estado da Saúde do Paraná – Piloto do teste DNA-HPV no SUS (2025)
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Fiocruz – Tecnologia nacional desenvolvida pelo IBMP para o SUS